The present fight from retired people from a bankrupt company nearing second death due to consistent resistance of old owner to an agreement:
Subject in Newspaper “O Estado de S. Paulo”, 25 of August 2009:
Transcription of Estado de São Paulo Newspaper:
-------------------Note: free translation, not authorized by author-------
Dispute of values arrest accord enter Union and "old Varig"
Govern does not accept proposal of Company, as it wants R$ 4,5 bi to, withdraw judicious interpellation.
Mariana Barbosa
Disputas sobre os valores a serem pagos pela União à velha Varig como ressarcimento por perdas provocadas por planos econômicos do passado estão emperrando as negociações do "encontro de contas", coordenadas pela Advocacia Geral da União (AGU) - o governo também a receber da Varig por impostos não pagos. A expectativa dos cerca de 40 mil credores trabalhistas, aposentados e pensionistas da Varig era de que o acordo fosse anunciado até o final desta semana, antes da decretação do fim da recuperação judicial da velha Varig (rebatizada de Flex), prevista para o final deste mês. Uma fonte próxima às negociações, porém, revela que a AGU não concordou com os valores propostos pela Flex, Aerus e credores trabalhistas, que não querem abrir mão das reivindicações.
Apesar de defender publicamente o encontro de contas e contar com respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da AGU, José Antonio Dias Toffoli, não aceitou o pedido de R$ 4,5 bilhões a R$ 5 bilhões, a serem pagos em 20 anos. O ministro, segundo as mesmas fontes, estaria disposto a liberar algo como R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões no máximo.
As negociações para o encontro de contas já duram mais de quatro meses - desde que a União pediu à Flex que retirasse da pauta do Supremo Tribunal Federal (STF), em março, a ação da defasagem tarifária. A Varig ganhou no mérito o direito de receber uma indenização bilionária por conta do congelamento de tarifas entre 1985 e 1992, e a derrota da União no Supremo era dada como certa.
Para fazer o acordo, a AGU impôs como condição que as partes ligadas à Flex - trabalhadores, sindicatos, fundo de pensão Aerus e a própria empresa - desistam de todas as demandas judiciais contra a União. Em uma dessas ações, o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) obteve uma liminar que obriga a União a assumir na integralidade os dispêndios mensais do Aerus, uma conta de cerca de R$ 24 milhões.
Na quinta-feira, a presidente do SNA, Graziella Baggio, protocolou um documento na AGU com alguns esclarecimentos sobre o pleito dos trabalhadores. Graziella argumenta que não há necessidade de a União desembolsar altas quantias de uma só vez. "Sugerimos que não se pague à vista, mas uma quantia anual para cobrir as necessidades do Aerus", diz.
Ela calcula que inicialmente seriam necessários cerca de R$ 290 milhões por ano para custear a folha de benefícios do fundo de pensão, mas que essa conta tenderá a diminuir, dado que não há novos beneficiários e muitos aposentados e pensionistas já estão com idade avançada. Ela diz ainda que a União só precisaria desembolsar a primeira parcela a partir do ano que vem. "Se houver uma garantia de que esses recursos serão pagos em 2010, você tem como voltar hoje a pagar as pensões integralmente, com a venda de alguns ativos líquidos do fundo", afirma. "Não precisa liberar R$ 5 bilhões de uma vez."
Além da parte que diz respeito ao Aerus, Graziella calcula que seriam necessários mais R$ 400 milhões a R$ 600 milhões para pagar dívidas trabalhistas.
Flex pode voltar a antigo controlador
Flex pode voltar a antigo controlador
Fundação Ruben Berta deve reassumir controle da empresa
Até o final deste mês, a Flex (velha Varig) deve sair da tutela da Justiça e voltar ao controle da Fundação Ruben Berta (FRB). Esse cenário poderá atrapalhar ainda mais as negociações do encontro de contas. O fim da recuperação judicial também poderá colocar a companhia, que hoje tem só um avião, usado em voos fretados, mais perto de uma falência.
"Aproxima-se o momento final da recuperação", afirmou, na semana passada, o juiz Luiz Roberto Ayoub, titular da primeira vara empresarial do Rio de Janeiro e responsável pelo caso Varig. O juiz não quis estabelecer prazos, mas segundo fontes ligadas ao processo ele tem dito a interlocutores que até o dia 31 de agosto o processo estará encerrado, com ou sem encontro de contas.
A Fundação Ruben Berta, acionista controladora da velha Varig, foi afastada da gestão da companhia durante a recuperação judicial. O eventual cenário de volta da FRB é temido por todas as partes empenhadas no sucesso da negociação com a União. "A volta da FRB pode ser um elemento complicador nas negociações do encontro de contas", avalia Ayoub. "A negociação não é fácil e, neste momento, o ideal é que não haja mudança", afirma Aubiérgio Barros de Souza Filho, interventor da Secretaria de Previdência Complementar no Aerus.
Para a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Graziella Baggio, se as negociações forem parar nas mãos da FRB, "a chance de o acordo não sair é enorme". Ela afirma que, no passado, antes de a Varig entrar com pedido de recuperação judicial, a fundação "rejeitou duas vezes a ajuda do governo ao se recusar a abrir mão do controle".
O juiz Ayoub garante que a volta da fundação não implicará riscos em relação ao cumprimento do acordo ou do plano de recuperação. "O dinheiro é carimbado e a mim compete homologar e monitorar o cumprimento do acordo." A reportagem tentou entrar em contato com o presidente da FRB, César Cury, mas não foi atendida.
Graziella explica que a falência é pior para o trabalhador que votou a favor do plano de recuperação, pois nesta condição ele receberá menos do que o previsto no plano. A falência poderá implicar também no fim da prioridade no recebimento de crédito hoje desfrutada pelo Aerus, detentor de garantias.
Se as negociações para o encontro de contas não avançarem, a empresa poderá falir por falta de fôlego financeiro. Nos últimos 45 dias, a empresa demitiu quase 10% dos funcionários e se prepara para cumprir ordem judicial que a obriga a devolver para a Infraero o conjunto de prédios históricos da velha Varig no aeroporto Santos Dumont.
A nova sede da Flex ficará na Ilha do governador, onde está localizado o Centro de Treinamento de Pilotos e Comissários da empresa. A companhia, porém, também não tem recursos para fazer a mudança.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
A Whiter Shade Of Pale
Hear and watch that after copying and
opening in you browser
http://www.youtube.com/watch?v=PbWULu5_nXI
Sing that
Um tom mais claro de palidez
We skipped the light Fandango... Dançamos um fandango suave
Turned cartwheels 'cross the floor... E fizemos piruetas no salão
I was feeling kind of seasick... Eu estava me sentindo meio enjoado
But the crowd called out for more... A multidão pediu mais
The room was humming harder... O salão estava zunindo mais forte
As the ceiling flew away... E o teto se distanciou
When we called out for another drink... Quando pedimos um outro drink
The waiter brought a tray... O garçom trouxe uma bandeja
And so it was that later... E foi assim que mais tarde
As the Miller told his tale... Enquanto o moleiro contava sua história
That her face, at first just ghostly... Que seu rosto a princípio,apenas fantasmagórico
Turned a whiter shade of pale... Transformou-se em um tom mais claro de palidez
She said there is no reason... Ela disse "Não há motivo"
And the truth is plain to see... E a verdade é simples de se ver,
But I wandered through my playing cards.. Mas eu divagava pelas minhas cartas
do baralho
And could not let her be... E não poderia deixá-la ser
One of the sixteen vestal virgins... Uma das dezesseis virgens puras
Who were leaving for the coast... Que estavam partindo para a costa
And although my eyes were open... E embora meus olhos estivessem abertos
They might just as well've been closed... Eles tam.bém podiam ter ficado fechados
opening in you browser
http://www.youtube.com/watch?v=PbWULu5_nXI
Sing that
Um tom mais claro de palidez
We skipped the light Fandango... Dançamos um fandango suave
Turned cartwheels 'cross the floor... E fizemos piruetas no salão
I was feeling kind of seasick... Eu estava me sentindo meio enjoado
But the crowd called out for more... A multidão pediu mais
The room was humming harder... O salão estava zunindo mais forte
As the ceiling flew away... E o teto se distanciou
When we called out for another drink... Quando pedimos um outro drink
The waiter brought a tray... O garçom trouxe uma bandeja
And so it was that later... E foi assim que mais tarde
As the Miller told his tale... Enquanto o moleiro contava sua história
That her face, at first just ghostly... Que seu rosto a princípio,apenas fantasmagórico
Turned a whiter shade of pale... Transformou-se em um tom mais claro de palidez
She said there is no reason... Ela disse "Não há motivo"
And the truth is plain to see... E a verdade é simples de se ver,
But I wandered through my playing cards.. Mas eu divagava pelas minhas cartas
do baralho
And could not let her be... E não poderia deixá-la ser
One of the sixteen vestal virgins... Uma das dezesseis virgens puras
Who were leaving for the coast... Que estavam partindo para a costa
And although my eyes were open... E embora meus olhos estivessem abertos
They might just as well've been closed... Eles tam.bém podiam ter ficado fechados
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
EXTREMA COMPETÊNCIA
"Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
JÁ TE ESQUECI!
E jamais usarei a frase:
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade:
É tarde demais..."
(Clarice Lispector)
Read the poem normal way (downward) and after that read it upward.
Choose the best one. Depends of your mood.
"Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
JÁ TE ESQUECI!
E jamais usarei a frase:
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade:
É tarde demais..."
(Clarice Lispector)
Read the poem normal way (downward) and after that read it upward.
Choose the best one. Depends of your mood.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
The whiter shade of pale
We skipped the light fandango
Turned cartwheels cross the floor
I was feeling kinda seasick
But the crowd called out for more
The room was humming harder
As the ceiling flew away
When we called out for another drink
The waiter brought a tray
And so it was that later
As the miller told his tale
That her face, at first just ghostly,
Turned a whiter shade of pale
She said, there is no reason
And the truth is plain to see.
But I wandered through my playing cards
And would not let her be
One of sixteen vestal virgins
Who were leaving for the coast
And although my eyes were open
They might have just as wellve been closed
She said, Im home on shore leave,
Though in truth we were at sea
So I took her by the looking glass
And forced her to agree
Saying, you must be the mermaid
Who took neptune for a ride.
But she smiled at me so sadly
That my anger straightway died
If music be the food of love
Then laughter is its queen
And likewise if behind is in front
Then dirt in truth is clean
My mouth by then like cardboard
Seemed to slip straight through my head
So we crash-dived straightway quickly
And attacked the ocean bed
Turned cartwheels cross the floor
I was feeling kinda seasick
But the crowd called out for more
The room was humming harder
As the ceiling flew away
When we called out for another drink
The waiter brought a tray
And so it was that later
As the miller told his tale
That her face, at first just ghostly,
Turned a whiter shade of pale
She said, there is no reason
And the truth is plain to see.
But I wandered through my playing cards
And would not let her be
One of sixteen vestal virgins
Who were leaving for the coast
And although my eyes were open
They might have just as wellve been closed
She said, Im home on shore leave,
Though in truth we were at sea
So I took her by the looking glass
And forced her to agree
Saying, you must be the mermaid
Who took neptune for a ride.
But she smiled at me so sadly
That my anger straightway died
If music be the food of love
Then laughter is its queen
And likewise if behind is in front
Then dirt in truth is clean
My mouth by then like cardboard
Seemed to slip straight through my head
So we crash-dived straightway quickly
And attacked the ocean bed
Para Celeste
PARA CELESTE
Published by Maia at 2:18 pm under Geral
Poema de Natal
Vinicius de Moraes
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
-------------
Vá ao Blog do Maia . Chame por este título no Google: ele é o primeiro que aparece.
Abra-o e você entenderá. Se tivesse um fundo musical seria aquele que você sabe de cor, do João Bosco e Aldir Blanc, com versos a dizer "...Mas sei, que uma dor assim pungente, não há de ser inultilmente..."
Dona Celeste, com este nome, já fazia um pouco do céu aqui na terra.E nos fez ser melhores.
Published by Maia at 2:18 pm under Geral
Poema de Natal
Vinicius de Moraes
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
-------------
Vá ao Blog do Maia . Chame por este título no Google: ele é o primeiro que aparece.
Abra-o e você entenderá. Se tivesse um fundo musical seria aquele que você sabe de cor, do João Bosco e Aldir Blanc, com versos a dizer "...Mas sei, que uma dor assim pungente, não há de ser inultilmente..."
Dona Celeste, com este nome, já fazia um pouco do céu aqui na terra.E nos fez ser melhores.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Martha Medeiros, again
Recebi um e-mail com anexo. Anexo de um PPS. Nele uma cronica de Martha Medeiros, ela, a Martha, que foi quem deu origem a este Blog. O assunto é muito do Blog pois retrata uma fase da vida que chamo de prestar atenção, falta pouco tempo e não dá para fazer tudo, logo, separa, escolhe e faz o mais importante.
O PPS é muito bom. Tem My Way com Frank Sinatra.Foto de Cora Carolina. Mas o mais importante são as palavras de Martha Medeiros. Que coisa. Como pode escrever tão bem, dizendo tudo que é preciso dizer?
Reproduzo, após localizar a cronica atravéz do SEO dos rapazes "que mudaram as nossas vidas".
Sábado, 2 de Maio de 2009
Morrer em vida é fatal
MARTHA MEDEIROS
Nunca esqueci de uma senhora que, ao responder por quanto tempo pretendia trabalhar, respondeu com toda a convicção: “Até os 100 anos”. O repórter, provocador, insistiu: “E depois?”. “Ué, depois vou aproveitar a vida”.
É de se comemorar que as pessoas aparentem ter menos idade do que realmente têm e que mantenham a vitalidade e o bom humor intactos – os dois grandes elixires da juventude. No entanto, cedo ou tarde (cada vez mais tarde, aleluia), envelheceremos todos. Não escondo que isso me amedronta um pouco. Ainda não cheguei perto da terceira idade, mas chegarei, e às vezes me angustio por antecipação com a dor inevitável de um dia ter que contrapor meu eu de dentro com meu eu de fora.
Rugas, tudo bem. Velhice não é isso, conheço gente enrugada que está saindo da faculdade. A velhice tem armadilhas bem mais elaboradas do que vincos em torno dos olhos. Ela pressupõe uma desaceleração gradativa: descer escadas de forma mais cautelosa, ser traída pela memória com mais regularidade, ter o corpo mais flácido, menos frescor nos gestos, os órgãos internos não respondendo com tanta presteza, o fôlego faltando por causa de uma ladeira à toa, ainda que isso nem sempre se cumpra: há muitos homens e mulheres que além de um ótimo aspecto, mantêm uma saúde de pugilista. A comparação com os pugilistas não é de todo absurda: é de briga mesmo que estamos falando. A briga contra o olhar do outro.
Muitos se queixam da pior das invisibilidades: “Não me olham mais com desejo”. Ouvi uma mulher belíssima dizer isso num programa de tevê, e eu pensei: não pode ser por causa da embalagem, que é tão charmosa. Deve estar lhe faltando ousadia, agilidade de pensamento, a mesma gana de viver que tinha aos 30 ou 40. Ela deve estar se boicotando de alguma forma, porque só cuidar da embalagem não adianta, o produto interno é que precisa seguir na validade.
Quem viu o filme Fatal deve lembrar do professor sessentão, vivido por Ben Kingsley, que se apaixona por uma linda e jovem aluna (Penélope Cruz) e passa a ter com ela um envolvimento que lhe serve como tubo de oxigênio e ao mesmo tempo o faz confrontar-se com a própria finitude. No livro que deu origem ao filme (O Animal Agonizante, de Philip Roth), há uma frase que resume essa comovente ansiedade de vida: “Nada se aquieta, por mais que a gente envelheça”.
Essa é a ardileza da passagem do tempo: ela não te sossega por dentro da mesma forma que te desgasta por fora. O corpo decai com mais ligeireza que o espírito, que, ao contrário, costuma rejuvenescer quando a maturidade se estabelece.
Como compensar as perdas inevitáveis que a idade traz? Usando a cabeça: em vez de lutarmos para não envelhecer, devemos lutar para não emburrecer. Seguir trabalhando, viajando, lendo, se relacionando, se interessando e se renovando. Porque se emburrecermos, aí sim, não restará mais nada.
Postado ZERO HORA online - 02/05/2009
O PPS é muito bom. Tem My Way com Frank Sinatra.Foto de Cora Carolina. Mas o mais importante são as palavras de Martha Medeiros. Que coisa. Como pode escrever tão bem, dizendo tudo que é preciso dizer?
Reproduzo, após localizar a cronica atravéz do SEO dos rapazes "que mudaram as nossas vidas".
Sábado, 2 de Maio de 2009
Morrer em vida é fatal
MARTHA MEDEIROS
Nunca esqueci de uma senhora que, ao responder por quanto tempo pretendia trabalhar, respondeu com toda a convicção: “Até os 100 anos”. O repórter, provocador, insistiu: “E depois?”. “Ué, depois vou aproveitar a vida”.
É de se comemorar que as pessoas aparentem ter menos idade do que realmente têm e que mantenham a vitalidade e o bom humor intactos – os dois grandes elixires da juventude. No entanto, cedo ou tarde (cada vez mais tarde, aleluia), envelheceremos todos. Não escondo que isso me amedronta um pouco. Ainda não cheguei perto da terceira idade, mas chegarei, e às vezes me angustio por antecipação com a dor inevitável de um dia ter que contrapor meu eu de dentro com meu eu de fora.
Rugas, tudo bem. Velhice não é isso, conheço gente enrugada que está saindo da faculdade. A velhice tem armadilhas bem mais elaboradas do que vincos em torno dos olhos. Ela pressupõe uma desaceleração gradativa: descer escadas de forma mais cautelosa, ser traída pela memória com mais regularidade, ter o corpo mais flácido, menos frescor nos gestos, os órgãos internos não respondendo com tanta presteza, o fôlego faltando por causa de uma ladeira à toa, ainda que isso nem sempre se cumpra: há muitos homens e mulheres que além de um ótimo aspecto, mantêm uma saúde de pugilista. A comparação com os pugilistas não é de todo absurda: é de briga mesmo que estamos falando. A briga contra o olhar do outro.
Muitos se queixam da pior das invisibilidades: “Não me olham mais com desejo”. Ouvi uma mulher belíssima dizer isso num programa de tevê, e eu pensei: não pode ser por causa da embalagem, que é tão charmosa. Deve estar lhe faltando ousadia, agilidade de pensamento, a mesma gana de viver que tinha aos 30 ou 40. Ela deve estar se boicotando de alguma forma, porque só cuidar da embalagem não adianta, o produto interno é que precisa seguir na validade.
Quem viu o filme Fatal deve lembrar do professor sessentão, vivido por Ben Kingsley, que se apaixona por uma linda e jovem aluna (Penélope Cruz) e passa a ter com ela um envolvimento que lhe serve como tubo de oxigênio e ao mesmo tempo o faz confrontar-se com a própria finitude. No livro que deu origem ao filme (O Animal Agonizante, de Philip Roth), há uma frase que resume essa comovente ansiedade de vida: “Nada se aquieta, por mais que a gente envelheça”.
Essa é a ardileza da passagem do tempo: ela não te sossega por dentro da mesma forma que te desgasta por fora. O corpo decai com mais ligeireza que o espírito, que, ao contrário, costuma rejuvenescer quando a maturidade se estabelece.
Como compensar as perdas inevitáveis que a idade traz? Usando a cabeça: em vez de lutarmos para não envelhecer, devemos lutar para não emburrecer. Seguir trabalhando, viajando, lendo, se relacionando, se interessando e se renovando. Porque se emburrecermos, aí sim, não restará mais nada.
Postado ZERO HORA online - 02/05/2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Do Pai de um Aviador
De vez enquando um aviador parte e é lembrado. Este é lembrado por um pai num contexto muito especial e traz para nós muitas reflexões. Pela transcrição não autorizada, a minha homenagem.
" Jornal O Globo, dia 10 de junho de 2009
Roberto DaMatta
Em torno do progresso e do sofrimento.
O lema “ordem e progresso” cabe bem nas bandeiras, mas a vida seria mais bem descrita pelo laço entre progresso e sofrimento. Pela progressão que julgamos cumulativa, satisfazendo velhos desejos e inventando novos projetos, e a perda e a dor decorrentes das frustrações que, volta e meias, escapam das malhas das conquistas tecnológicas que nos acompanham revelando que o mundo, não sendo mesmo como gostaríamos que ele fosse, tem uma estranha espessura.
Circunstâncias não previstas ligaram-me ao mundo dos aviões e dos aeroportos. Tive um filho que morreu uma morte não anunciada nem esperada junto com a sua amada Varig no derradeiro dia de suas férias. Diante da morte, ele não teve aqueles sinais que vão dos sintomas resistentes aos remédios caseiros, até a contrariada consulta ao médico, a surpresa quando se constata a doença grave ou incurável, a internação e, finalmente, o inominável divorcio, como cadáver ou cinza, daqueles que amorosa e exultantemente o trouxeram a este mundo, agora transformado e vivido como um vale de lágrimas. Mas teve, sem dúvida, como ele bem pressentia, o abandono de um governo que sequer cogitou considerar uma gigantesca dívida para com a sua companhia ou os dinheiros do fundo de pensão dos seus trabalhadores para salvá-la de si mesma. Atitude que tem sido sistematicamente negada quando se observa o modo como o qual o governo federal trata dos sindicatos e os movimentos sociais debaixo de suas asas. Como todos aqueles que perderam seus entes queridos de uma hora para a outra, e como pai de um aviador e não mero piloto, como eram estes nobres comandantes do Airbus que sumido em algum lugar de um oceano que julgávamos mapeado e portanto conhecido, eu sinto uma enorme revolta contra aquilo que um lado meu vai morrer perguntado ao outro sem jamais ter uma resposta: se o lula tivesse tido mais consideração ou “cuidasse” melhor da Varig, eu estaria com meu filho ao meu lado? Estariam sua mulher e seus filhos gozando da energia protetora do marido e do pai dedicado para prover-lhes segurança e dar-lhes carinho e amor?
Sorte dos que, por meio de alguma ideologia política, econômica ou religiosa, explicam os acidentes e as incertezas. Que respondem ao “porque” aquela pessoa ou grupo cumpriu o trágica destino da morte sem aviso. Viver num universo deslindado pelas leis da História, do mercado ou protegido por um Deus onipotente, ou dinamizado por espíritos e vontades que tudo governam, é mais tranquilo do que receber a bofetada do caos e da desordem promovida pelo infortúnio da magnitude desse acidente com o avião da Air France. Receber a pancada e manter-se de pé, certo de que é justamente este brutal encontro com a transitoriedade que nos torna verdadeiramente humanos, é, no entanto, para alguns, a mais honrosa prova de amor à vida. É o teste crucial de que ela pode ser mesmo vivida com o amor que nada pede, nem mesmo a sua justificativa, ou o seu mérito porque como se diz, inspirado por São Paulo e Thornton Wilder, no amor nossos erros não duram muito.
A aceitação da impossibilidade de tudo saber e controlar é o que permite -- ao lado da lira, dos livros e do riso – pôr a morte acidental no seu devido lugar. É mais uma prova terrível porque irreversível de que somos seres da finitude e, portanto, da relação, da piedade e do amor. Não porque ofendemos os deuses ou porque um chefe de Estado pequeno prefere os amigos ao equilíbrio ético; mas porque não esquecemos a espessura do mundo. Daí a força deste abraço que trocamos no fracasso, na injustiça, no acidente e na morte. Daí essa consciência de ressurreição quando um fato extraordinário nos obriga, como esse acidente, a viajar para dentro de nós mesmos na busca de um renascimento que é a fonte de toda a vida que deseja ser vivida na verdade, na dignidade e no amor. Porque a fonte da vida social é esse amor humano – finito e fugaz – que está sempre dizendo adeus, e que sempre diz menos (ou mais) do que deveria. É precisamente na consciência da falha que estão a orgulhosa consciência e o sábio alento que tangem esse nosso mundo sempre sujeito a acidentes e injustiças. Esse universo construído pela mortalidade, pela feiúra, pelos enganos e pelas injustiças, mas dotado de uma abençoada transitoriedade. Único mundo que pode mesmo ser apaixonadamente amado e que, por isso, vale a pena ser vivido.
O trágico vôo 447 leva-me a repensar a equação entre progresso e sofrimento. A questionar a linearidade tradicional, essencializada em lógica e tida como natural, segundo a qual o progresso inevitavelmente ordena: a razão produz controle; e a união entre progresso e racionalidade acabaria com a dor do mundo. Fé difícil de abraçar hoje em dia., quando não são religiões ou ideologias anticapitalistas, mas um óbvio desastre ecológico que mostra como a ideia de progresso sem limites tem legalizado a destruição do planeta. Curioso observar como numa dezena de anos a tecnologia, que consagrava a dominação dos outros povos pelo Ocidente iluminado, passou de remédio a veneno. E como um trágico acidente nos traz de volta a vida representada como um real, embora esquecido, vale de lágrimas. Basta viver a incerteza para reavivar a nossa fragilidade e expor uma imensa nostalgia daquele pensamento selvagem recheado de deuses e magia que era a prova mais cabal das trevas, primitivismo e ignorância.
" Jornal O Globo, dia 10 de junho de 2009
Roberto DaMatta
Em torno do progresso e do sofrimento.
O lema “ordem e progresso” cabe bem nas bandeiras, mas a vida seria mais bem descrita pelo laço entre progresso e sofrimento. Pela progressão que julgamos cumulativa, satisfazendo velhos desejos e inventando novos projetos, e a perda e a dor decorrentes das frustrações que, volta e meias, escapam das malhas das conquistas tecnológicas que nos acompanham revelando que o mundo, não sendo mesmo como gostaríamos que ele fosse, tem uma estranha espessura.
Circunstâncias não previstas ligaram-me ao mundo dos aviões e dos aeroportos. Tive um filho que morreu uma morte não anunciada nem esperada junto com a sua amada Varig no derradeiro dia de suas férias. Diante da morte, ele não teve aqueles sinais que vão dos sintomas resistentes aos remédios caseiros, até a contrariada consulta ao médico, a surpresa quando se constata a doença grave ou incurável, a internação e, finalmente, o inominável divorcio, como cadáver ou cinza, daqueles que amorosa e exultantemente o trouxeram a este mundo, agora transformado e vivido como um vale de lágrimas. Mas teve, sem dúvida, como ele bem pressentia, o abandono de um governo que sequer cogitou considerar uma gigantesca dívida para com a sua companhia ou os dinheiros do fundo de pensão dos seus trabalhadores para salvá-la de si mesma. Atitude que tem sido sistematicamente negada quando se observa o modo como o qual o governo federal trata dos sindicatos e os movimentos sociais debaixo de suas asas. Como todos aqueles que perderam seus entes queridos de uma hora para a outra, e como pai de um aviador e não mero piloto, como eram estes nobres comandantes do Airbus que sumido em algum lugar de um oceano que julgávamos mapeado e portanto conhecido, eu sinto uma enorme revolta contra aquilo que um lado meu vai morrer perguntado ao outro sem jamais ter uma resposta: se o lula tivesse tido mais consideração ou “cuidasse” melhor da Varig, eu estaria com meu filho ao meu lado? Estariam sua mulher e seus filhos gozando da energia protetora do marido e do pai dedicado para prover-lhes segurança e dar-lhes carinho e amor?
Sorte dos que, por meio de alguma ideologia política, econômica ou religiosa, explicam os acidentes e as incertezas. Que respondem ao “porque” aquela pessoa ou grupo cumpriu o trágica destino da morte sem aviso. Viver num universo deslindado pelas leis da História, do mercado ou protegido por um Deus onipotente, ou dinamizado por espíritos e vontades que tudo governam, é mais tranquilo do que receber a bofetada do caos e da desordem promovida pelo infortúnio da magnitude desse acidente com o avião da Air France. Receber a pancada e manter-se de pé, certo de que é justamente este brutal encontro com a transitoriedade que nos torna verdadeiramente humanos, é, no entanto, para alguns, a mais honrosa prova de amor à vida. É o teste crucial de que ela pode ser mesmo vivida com o amor que nada pede, nem mesmo a sua justificativa, ou o seu mérito porque como se diz, inspirado por São Paulo e Thornton Wilder, no amor nossos erros não duram muito.
A aceitação da impossibilidade de tudo saber e controlar é o que permite -- ao lado da lira, dos livros e do riso – pôr a morte acidental no seu devido lugar. É mais uma prova terrível porque irreversível de que somos seres da finitude e, portanto, da relação, da piedade e do amor. Não porque ofendemos os deuses ou porque um chefe de Estado pequeno prefere os amigos ao equilíbrio ético; mas porque não esquecemos a espessura do mundo. Daí a força deste abraço que trocamos no fracasso, na injustiça, no acidente e na morte. Daí essa consciência de ressurreição quando um fato extraordinário nos obriga, como esse acidente, a viajar para dentro de nós mesmos na busca de um renascimento que é a fonte de toda a vida que deseja ser vivida na verdade, na dignidade e no amor. Porque a fonte da vida social é esse amor humano – finito e fugaz – que está sempre dizendo adeus, e que sempre diz menos (ou mais) do que deveria. É precisamente na consciência da falha que estão a orgulhosa consciência e o sábio alento que tangem esse nosso mundo sempre sujeito a acidentes e injustiças. Esse universo construído pela mortalidade, pela feiúra, pelos enganos e pelas injustiças, mas dotado de uma abençoada transitoriedade. Único mundo que pode mesmo ser apaixonadamente amado e que, por isso, vale a pena ser vivido.
O trágico vôo 447 leva-me a repensar a equação entre progresso e sofrimento. A questionar a linearidade tradicional, essencializada em lógica e tida como natural, segundo a qual o progresso inevitavelmente ordena: a razão produz controle; e a união entre progresso e racionalidade acabaria com a dor do mundo. Fé difícil de abraçar hoje em dia., quando não são religiões ou ideologias anticapitalistas, mas um óbvio desastre ecológico que mostra como a ideia de progresso sem limites tem legalizado a destruição do planeta. Curioso observar como numa dezena de anos a tecnologia, que consagrava a dominação dos outros povos pelo Ocidente iluminado, passou de remédio a veneno. E como um trágico acidente nos traz de volta a vida representada como um real, embora esquecido, vale de lágrimas. Basta viver a incerteza para reavivar a nossa fragilidade e expor uma imensa nostalgia daquele pensamento selvagem recheado de deuses e magia que era a prova mais cabal das trevas, primitivismo e ignorância.
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