Este Blog o lugar ideal para esta homenagem. Meus sentimentos neste momento.
jan
15
2012
Biografia
Published by Breno Abreu under Uncategorized
Advogado cível, considerado o maior nome de Direito Previdenciário no país, Luís Antônio Castagna Maia nasceu em 16/12/1964, na cidade de Gaurama/RS. Irmão do meio, filho do bancário Antônio Brasil Ferreira Maia e da dona de casa Antonieta Castagna Maia, passou boa parte da infância mudando-se para diferentes cidades do interior gaúcho, acompanhando as transferências do pai, gerente substituto do antigo Banco Agrícola, mais tarde Unibanco. A relação com bancários e o trânsito por várias cidades se fizeram constantes em sua vida.
Desde cedo demonstrava grande inquietação com o mundo, rebeldia e grande intensidade existencial. Aos 13 anos começou a trabalhar. Aos 14 bateu o carro que pegara do pai sem autorização. Aos 15 iniciou sua trajetória no Banco do Brasil, como menor aprendiz. Aos 17 anos, prestes a se mudar para Porto Alegre com a família, tornou-se pai. Aos 18 anos ingressou como efetivo no mesmo Banco do Brasil através de concurso público. Já como menor aprendiz, frequentava o movimento estudantil e sindical na serra gaúcha, aproximando-se de diversos movimentos políticos ligados à gênese do Partido dos Trabalhadores. Também aos 18 anos ingressa no Curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS).
Atuou intensamente no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, onde comandou greves e atuou sob a liderança de nomes como Olívio Dutra e companheiros como Sérgio “Jacaré” Metz (falecido letrista do grupo Tambo do Bando), em plena efervescência do movimento sindical dos anos 80 – que viriam desencadear a primeira candidatura de Lula à Presidência. Em meio à disputa eleitoral no segundo turno da eleição de 89, Luís Antônio Maia – mais conhecido pelos companheiros como Maia – cunhou o célebre slogan “Brizola no Coração, Lula lá” mobilizando eleitores do campo progressista num dos poucos estados onde Collor não vencera a eleição. Aos 23 anos de idade, Maia era o mais jovem coordenador do DIEESE até então. Foi também Secretário Geral do Sindicato dos Bancários e Diretor da Executiva da CUT entre os anos de 1989 e 1991.
Mudou-se para Brasília ainda nos anos 90, para fundar o GAREF: Gabinete dos Representantes dos Funcionários do Banco do Brasil. Retoma os estudos de Direito junto à Universidade de Brasília (UnB), e formado deixa o banco para assumir a trajetória de advogado combativo junto às Federações de Sindicatos e associações de Fundos de Pensão, tornando-se referência também em Direito Previdenciário. Funda o escritório “Castagna Maia Advogados Associados” e inova ao adotar o contato direto com os clientes através do primeiro blog de escritório de Advocacia no Brasil, também caracterizado como um espaço de opinião, discussão e poesia – uma das suas grandes paixões.
Luís Antônio Castagna Maia sempre foi um leitor voraz e inquieto, constituindo sua base de pensamento desde Pontes de Miranda e Padre Antonio Vieira, passando pelos grandes poetas brasileiros como Vinícius de Moraes, Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade, seu preferido. Leituras numerosas e profundas. São lembradas pelos amigos suas intensas interpretações de poemas como “A Flor e a Náusea”, “Os Ombros Suportam o Mundo”, “A Bruxa”, dentre tantos outros poemas do mestre itabirano recitados de memória, como uma partitura própria construída de forma consistente. Densa e encantadora.
Ainda no âmbito das artes, tinha formação e ouvido musical apurado, tendo estudado violão erudito durante a infância na cidade de Vacaria/RS – uma das tantas cidades pelas quais passou. Dono de uma cultura musical invejável, também se aventurava com êxito ao cantar tangos, habilidade adquirida nas boêmias casas noturnas de Porto Alegre nos tempos de sindicato. Cambalache, Vuelvo al Sur, Balada para un Loco e Por una Cabeza, figuravam no repertório deste apaixonado pelo eixo Buenos Aires – Paris, tal como Astor Piazzolla, seu predileto. Seus dentes – mais separados na frente – lhe possibilitavam um assovio grave e airoso, acionado como recurso para lembrar de alguma melodia antes de entoar lindamente uma letra completa. Quando não assoviava, sorria. Quando não sorria, brandia contra a injustiça. Sabia também ser irônico e ácido quando necessário. Sabia como ninguém ser amoroso e gentil. Seu humor era perspicaz e espirituoso. Sua franqueza, fatal.
Estudioso e obsessivo com os livros, Maia era detentor de grande poder retórico e criatividade. Suas argumentações e petições jurídicas apresentavam por vezes vários tomos encadernados. Cada causa, uma tese. Cada tese, uma paixão. Nunca advogou a contragosto ou sem profunda convicção. Defendeu a saúde dos bancários, assolados pela L.E.R – Lesões por Esforços Repetitivos, grande mal da categoria. No âmbito da previdência complementar, defendeu aposentados e pensionistas do olhar fraudulento de diretorias e governos, que viam nos Fundos de Pensão a possibilidade de captação imoral de recursos à custa do labor alheio. Defendeu Petroleiros, Comerciários, Bancários e Aeronautas de forma incansável. Denunciou a privatização de plataformas de Petróleo. Analisava a conjuntura nacional a cada movimento. Dormia pouco, mas sonhava muito.
Luís Antônio Castagna Maia nos deixa, na flor de seus intensos 47 anos, vítima de um câncer fatal, diagnosticado no dia 11 de setembro de 2009. Desta vez, foi uma torre brasileira que sofreu o atentado. Mas ruiu aos poucos e caiu de pé. Uma torre em queda, mas um farol que ainda ilumina a vida de milhares de pessoas de todas as partes do Brasil. Um farol que nos ensina o valor da vida e da dignidade humana. Uma luz que não se apaga.
Com muita dor, muito amor e as melhores memórias,
Seus Amigos e Familiares
Brasília, 14 de janeiro de 2012.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
domingo, 1 de janeiro de 2012
Year 2012 means 5
Well, it is just what we will treat in aou other Blog
Blog12202012.blogspot.com
Hope see you all there.
Blog12202012.blogspot.com
Hope see you all there.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
CAMINHO
Segue o nosso caminho com situações compartilhadas, que são um exemplo.
Aqui, extraido do Blog do Dr. Castagna Maia, um momento deste caminhar.
OUTRO MINUTINHO, POR FAVOR
Postado por Maia at 18:00 sob Uncategorized
Andei passando um mau pedaço. No tratamento, chegou a vez da radioterapia. Após dez sessões, a dor ficou insuportável. Tive que suspender a rádio naquele momento. E não descia alimento algum, e nem água. Após alguns dias tentando ingerior suplementos alimentares líquidos, não houve jeito: tive que colocar uma sonda nasal para alimentação. A primeira sonda era muito fina, e não durou 24 horas. Entupiu e tique que fazer nova sedação para a colocação da nova sonda.
Agora, finalmente, estou sendo alimentando e cessou a perda de peso. Por sorte, havia algum excesso que ajudou bastante neste período. E ontem retornei à radioterapia.
Tudo indica que a pior fase já passou, mas me obrigou a alguns dias de estaleiro. O ritmo ainda não está normal por causa da sonda. Mas que fique claro: todo o problema recente diz respeito ao tratamento, não à doença.
Não pretendo usar o blog para tratar de questões pessoais, mas precisava agradecer a todos pelos votos de melhora e pelas preces. Em seguidinha as coisas devem voltar ao normal.
1. # Petraem 21 jun 2011 �s 18:08
Agora é só melhorar , a tempestade passou !!!!
Abraços e beijinho mais que carinhosos .
Obrigada pelas suas palavras , ajudou a tirar um peso enorme do meu coração .
2. # paizoteem 21 jun 2011 �s 18:09
Só passei para dizer ao amigo;
VOCÊ NÃO ESTA SOZINHO!
E para repetir o mesmo comentário feito lá no inicio, continua valendo .
Dito isto volto para meu re3tiro.
Abraços!
paizote em 04 out 2009 �s 21:21
Eu quero, eu preciso , que o sr se cuide.
A saúde é mais importante que qualquer “causa”.
Estou certo de que logo terá melhoras, e poderá nos dar noticias boas.
E quando falo de noticias boas, refiro-me a sua saúde… o resto é o resto.
Tudo o que realmente vale alguma coisa …não pode ser pago em dinheiro.
Firme! Grande companheiro.
Abraços , e sinceros votos de rapido restabelecimento!
3. # marcio6067em 22 jun 2011 �s 10:02
Hi Dr. Maia,
Obrigado. Faço minha as sábias palavras de Paizote.
E compartilho os votos de todos os que aqui se manisfestam.
Paz e Saúde. Sempre.
4. # Gelson Azevedo Juniorem 22 jun 2011 �s 14:08
Dr. Maia,
Estamos rezando pela sua total e rapida recuperação .
Fique com Deus
Abrç,
Gelson
Aqui, extraido do Blog do Dr. Castagna Maia, um momento deste caminhar.
OUTRO MINUTINHO, POR FAVOR
Postado por Maia at 18:00 sob Uncategorized
Andei passando um mau pedaço. No tratamento, chegou a vez da radioterapia. Após dez sessões, a dor ficou insuportável. Tive que suspender a rádio naquele momento. E não descia alimento algum, e nem água. Após alguns dias tentando ingerior suplementos alimentares líquidos, não houve jeito: tive que colocar uma sonda nasal para alimentação. A primeira sonda era muito fina, e não durou 24 horas. Entupiu e tique que fazer nova sedação para a colocação da nova sonda.
Agora, finalmente, estou sendo alimentando e cessou a perda de peso. Por sorte, havia algum excesso que ajudou bastante neste período. E ontem retornei à radioterapia.
Tudo indica que a pior fase já passou, mas me obrigou a alguns dias de estaleiro. O ritmo ainda não está normal por causa da sonda. Mas que fique claro: todo o problema recente diz respeito ao tratamento, não à doença.
Não pretendo usar o blog para tratar de questões pessoais, mas precisava agradecer a todos pelos votos de melhora e pelas preces. Em seguidinha as coisas devem voltar ao normal.
1. # Petraem 21 jun 2011 �s 18:08
Agora é só melhorar , a tempestade passou !!!!
Abraços e beijinho mais que carinhosos .
Obrigada pelas suas palavras , ajudou a tirar um peso enorme do meu coração .
2. # paizoteem 21 jun 2011 �s 18:09
Só passei para dizer ao amigo;
VOCÊ NÃO ESTA SOZINHO!
E para repetir o mesmo comentário feito lá no inicio, continua valendo .
Dito isto volto para meu re3tiro.
Abraços!
paizote em 04 out 2009 �s 21:21
Eu quero, eu preciso , que o sr se cuide.
A saúde é mais importante que qualquer “causa”.
Estou certo de que logo terá melhoras, e poderá nos dar noticias boas.
E quando falo de noticias boas, refiro-me a sua saúde… o resto é o resto.
Tudo o que realmente vale alguma coisa …não pode ser pago em dinheiro.
Firme! Grande companheiro.
Abraços , e sinceros votos de rapido restabelecimento!
3. # marcio6067em 22 jun 2011 �s 10:02
Hi Dr. Maia,
Obrigado. Faço minha as sábias palavras de Paizote.
E compartilho os votos de todos os que aqui se manisfestam.
Paz e Saúde. Sempre.
4. # Gelson Azevedo Juniorem 22 jun 2011 �s 14:08
Dr. Maia,
Estamos rezando pela sua total e rapida recuperação .
Fique com Deus
Abrç,
Gelson
quarta-feira, 2 de março de 2011
DRUMMOND IMORTAL
No Blog do Dr.Maia, que aos sábados é da Poesia, ele postou este Drummond tão grande que nos deixa sem ação, seguindo a viagem das palavras e concordando o tempo todo. Pensando como pode alguem ser tão grande e repartir essa beleza de sentir a vida.
“ÚLTIMOS DIAS”
Postado por Maia sob Uncategorized
Carlos Drummond de Andrade
Que a terra há de comer,
Mas não coma já.
Ainda se mova,
E veja alguns sítios
antigos, outros inéditos.
Sinta frio, calor, cansaço:
para um momento; continue.
Descubra em seu movimento
forças não sabidas, contatos.
O prazer de estender-se; o de
enrolar-se, ficar inerte.
Prazer de balanço, prazer de vôo.
Prazer de ouvir música;
sobre o papel deixar que a mão deslize.
Irredutível prazer dos olhos;
certas cores: como se desfazem, como aderem;
certos objetos, diferentes a uma luz nova.
Que ainda sinta cheiro de fruta,
de terra na chuva, que pegue,
que imagine e grave, que lembre.
O tempo de conhecer mais algumas pessoas,
de aprender como vivem, de ajudá-las.
De ver passar este conto: o vento
balançando a folha; a sombra
da árvore, parada um instate
alongando-se com o sol, e desfazendo-se
numa sombra maior, de estrada sem trânsito.
E de olhar esta folha, se cai.
Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.
Tem na certa um cheiro, particular entre mil.
Um desenho, que se produzirá ao infinito,
e cada folha é uma diferente.
E cada instante é diferente, e cada
homem é diferente, e somos todos iguais.
No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra
o silêncio global, mas não seja logo.
Antes dele outros silêncios penetrem,
outras solidões derrubem ou acalentem
meu peito; ficar parado em frente desta estátua: é um
torso de mil anos, recebe minha visita, prolonga
para trás meu sopro, igual a mim
na calma, não importa o mármore, completa-me.
O tempo de saber que alguns erros caíram, e a raiz
da vida ficou mais forte, e os naufrágios
não cortaram essa ligação subterrânea entre homens e coisas;
que os objetos continuam, e a trepidação incessante
não desfigurou o rosto dos homens;
que somos todos irmãos, insisto.
Em minha falta de recursos para dominar o fim,
entrentanto me sinta grande, tamanho de criança, tamanho de torre,
tamanho da hora, que se vai acumulando século após século e causa vertigem,
tamanho de qualquer João, pois somos todos irmãos.
E a tristeza de deixar os irmãos me faça desejar
partida menos imediata. Ah, podeis rir também,
não da dissolução, mas do fato de alguém resistir-lhe,
de outros virem depois, de todos sermos irmãos,
no ódio, no amor, na incompreensão e no sublime
cotidiano, tudo, mas tudo é nosso irmão.
O tempo de despedir-me e contar
que não espero outra luz além da que nos envolveu
dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,
pequena amplo fulgurante, facho lanterna, faísca,
estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,
mas que essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo
é boa medida, irmãos, vivamos o tempo.
A doença não me intimide, que ela não possa
chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.
Uma parte de mim sofre, outra pede amor,
outra viaja, outra discute, uma última trabalha,
sou todas as comunicações, como posso ser triste?
A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute lealmente com sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esquecimento, amor,
ao fim da batalha perdida.
Este tempo, e não outro, sature a sala, banhe os livros,
nos bolsos, nos pratos se insinue: com sórdido ou potente clarão.
E todo o mell dos domingos se tire;
o diamante dos sábados, a rosa
de terça, a luz de quinta, a mágica
de horas matinais, que nós mesmos elegemos
para nossa pessoal despesa, essa parte secreta
de cada um de nós, no tempo.
E que a hora esperada não seja vil, manchada de medo,
submissão ou cálculo. Bem sei, um elemento de dor
rói sua base. Será rígida, sinistra, deserta,
mas não a quero negando as outras horas nem as palavras
ditas antes com voz firme, os pensamentos
maduramente pensados, os atos
que atrás de si deixaram situações.
Que o riso sem boca não a aterrorize
e a sombra da cama calcária não a encha de súplicas,
dedos torcidos, lívido
suor de remorso.
E a matéria se veja acabar: adeus composição
que um dia se chamou Carlos Drummond de Andrade.
Adeus, minha presença, meu olhar e minas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal meu no rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, idéia de justiça, revolta e sono, adeus,
adeus, vida aos outros legada.
“ÚLTIMOS DIAS”
Postado por Maia sob Uncategorized
Carlos Drummond de Andrade
Que a terra há de comer,
Mas não coma já.
Ainda se mova,
E veja alguns sítios
antigos, outros inéditos.
Sinta frio, calor, cansaço:
para um momento; continue.
Descubra em seu movimento
forças não sabidas, contatos.
O prazer de estender-se; o de
enrolar-se, ficar inerte.
Prazer de balanço, prazer de vôo.
Prazer de ouvir música;
sobre o papel deixar que a mão deslize.
Irredutível prazer dos olhos;
certas cores: como se desfazem, como aderem;
certos objetos, diferentes a uma luz nova.
Que ainda sinta cheiro de fruta,
de terra na chuva, que pegue,
que imagine e grave, que lembre.
O tempo de conhecer mais algumas pessoas,
de aprender como vivem, de ajudá-las.
De ver passar este conto: o vento
balançando a folha; a sombra
da árvore, parada um instate
alongando-se com o sol, e desfazendo-se
numa sombra maior, de estrada sem trânsito.
E de olhar esta folha, se cai.
Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.
Tem na certa um cheiro, particular entre mil.
Um desenho, que se produzirá ao infinito,
e cada folha é uma diferente.
E cada instante é diferente, e cada
homem é diferente, e somos todos iguais.
No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra
o silêncio global, mas não seja logo.
Antes dele outros silêncios penetrem,
outras solidões derrubem ou acalentem
meu peito; ficar parado em frente desta estátua: é um
torso de mil anos, recebe minha visita, prolonga
para trás meu sopro, igual a mim
na calma, não importa o mármore, completa-me.
O tempo de saber que alguns erros caíram, e a raiz
da vida ficou mais forte, e os naufrágios
não cortaram essa ligação subterrânea entre homens e coisas;
que os objetos continuam, e a trepidação incessante
não desfigurou o rosto dos homens;
que somos todos irmãos, insisto.
Em minha falta de recursos para dominar o fim,
entrentanto me sinta grande, tamanho de criança, tamanho de torre,
tamanho da hora, que se vai acumulando século após século e causa vertigem,
tamanho de qualquer João, pois somos todos irmãos.
E a tristeza de deixar os irmãos me faça desejar
partida menos imediata. Ah, podeis rir também,
não da dissolução, mas do fato de alguém resistir-lhe,
de outros virem depois, de todos sermos irmãos,
no ódio, no amor, na incompreensão e no sublime
cotidiano, tudo, mas tudo é nosso irmão.
O tempo de despedir-me e contar
que não espero outra luz além da que nos envolveu
dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,
pequena amplo fulgurante, facho lanterna, faísca,
estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,
mas que essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo
é boa medida, irmãos, vivamos o tempo.
A doença não me intimide, que ela não possa
chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.
Uma parte de mim sofre, outra pede amor,
outra viaja, outra discute, uma última trabalha,
sou todas as comunicações, como posso ser triste?
A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute lealmente com sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esquecimento, amor,
ao fim da batalha perdida.
Este tempo, e não outro, sature a sala, banhe os livros,
nos bolsos, nos pratos se insinue: com sórdido ou potente clarão.
E todo o mell dos domingos se tire;
o diamante dos sábados, a rosa
de terça, a luz de quinta, a mágica
de horas matinais, que nós mesmos elegemos
para nossa pessoal despesa, essa parte secreta
de cada um de nós, no tempo.
E que a hora esperada não seja vil, manchada de medo,
submissão ou cálculo. Bem sei, um elemento de dor
rói sua base. Será rígida, sinistra, deserta,
mas não a quero negando as outras horas nem as palavras
ditas antes com voz firme, os pensamentos
maduramente pensados, os atos
que atrás de si deixaram situações.
Que o riso sem boca não a aterrorize
e a sombra da cama calcária não a encha de súplicas,
dedos torcidos, lívido
suor de remorso.
E a matéria se veja acabar: adeus composição
que um dia se chamou Carlos Drummond de Andrade.
Adeus, minha presença, meu olhar e minas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal meu no rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, idéia de justiça, revolta e sono, adeus,
adeus, vida aos outros legada.
sábado, 29 de janeiro de 2011
A PARTIDA
Penso que aqui estamos todos nós.
Coloquei esta poesia de Vinicius no conhecido blogue do Dr. Castagna Maia neste sábado livre para poesia.
O encontrei na universidade e repeti trechos dele algumas vezes. Fala de estrelas, de bares e de amigos...
A partida
Vinicius de Moraes
Quero ir-me embora pra estrela
Que vi luzindo no céu
Na várzea do setestrelo.
Sairei de casa à tarde
Na hora crepuscular
Em minha rua deserta
Nem uma janela aberta
Ninguém para me espiar
De vivo verei apenas
Duas mulheres serenas
Me acenando devagar.
Será meu corpo sozinho
Que há de me acompanhar
Que a alma estará vagando
Entre os amigos, num bar.
Ninguém ficará chorando
Que mãe já não terei mais
E a mulher que outrora tinha
Mais que ser minha mulher
É mãe de uma filha minha.
Irei embora sozinho
Sem angústia nem pesar
Antes contente da vida
Que não pedi, tão sofrida
Mas não perdi por ganhar.
Verei a cidade morta
Ir ficando para trás
E em frente se abrirem campos
Em flores e pirilampos
Como a miragem de tantos
Que tremeluzem no alto.
Num ponto qualquer da treva
Um vento me envolverá
Sentirei a voz molhada
Da noite que vem do mar
Chegar-me-ão falas tristes
Como a querer me entristar
Mas não serei mais lembrança
Nada me surpreenderá:
Passarei lúcido e frio
Compreensivo e singular
Como um cadáver num rio
E quando, de algum lugar
Chegar-me o apelo vazio
De uma mulher a chorar
Só então me voltarei
Mas nem adeus lhe darei
No oco raio estelar
Libertado subirei.
Coloquei esta poesia de Vinicius no conhecido blogue do Dr. Castagna Maia neste sábado livre para poesia.
O encontrei na universidade e repeti trechos dele algumas vezes. Fala de estrelas, de bares e de amigos...
A partida
Vinicius de Moraes
Quero ir-me embora pra estrela
Que vi luzindo no céu
Na várzea do setestrelo.
Sairei de casa à tarde
Na hora crepuscular
Em minha rua deserta
Nem uma janela aberta
Ninguém para me espiar
De vivo verei apenas
Duas mulheres serenas
Me acenando devagar.
Será meu corpo sozinho
Que há de me acompanhar
Que a alma estará vagando
Entre os amigos, num bar.
Ninguém ficará chorando
Que mãe já não terei mais
E a mulher que outrora tinha
Mais que ser minha mulher
É mãe de uma filha minha.
Irei embora sozinho
Sem angústia nem pesar
Antes contente da vida
Que não pedi, tão sofrida
Mas não perdi por ganhar.
Verei a cidade morta
Ir ficando para trás
E em frente se abrirem campos
Em flores e pirilampos
Como a miragem de tantos
Que tremeluzem no alto.
Num ponto qualquer da treva
Um vento me envolverá
Sentirei a voz molhada
Da noite que vem do mar
Chegar-me-ão falas tristes
Como a querer me entristar
Mas não serei mais lembrança
Nada me surpreenderá:
Passarei lúcido e frio
Compreensivo e singular
Como um cadáver num rio
E quando, de algum lugar
Chegar-me o apelo vazio
De uma mulher a chorar
Só então me voltarei
Mas nem adeus lhe darei
No oco raio estelar
Libertado subirei.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Comandante Goetz Herzfeldt
Algumas palavras dizem tudo. Aqui, reproduzo o adeus de Betina a este que foi um símbolo entre tantos outros numa empresa que, por sua causa e de uns poucos outros, se tornou imortal.
Retirado do Blog Pensamentos em Erupção.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Opa
É com lágrimas nos olhos e o coração na mão eu digo adeus. Me despeço do meu herói, da pessoa mais honesta, íntegra e batalhadora que já pude conhecer em minha vida. Após nove décadas de vida, de muitas realizações e história, digo adeus, agradecendo por tudo o que sempre fez e tudo o que representa pra todos. Tenho certeza que cada um da família sabe o valor que é e que o seu pensamento em seus filhos, de nunca ter sido individualista, de querer proporcionar qualidade de vida à eles, se prolongou aos seus netos e bisnetos. Você é o meu exemplo, e sempre tive isso carimbado no meu coração. Digo adeus à uma pessoa com o coração maior que ele, mas que sempre gostou de mostrar que era casca grossa, porém tudo "figurino", pois amava como ninguém, só que dizia de outras formas. Acho que na boca de todos neste dia de luto está a palavra obrigado! Tento me acalmar sabendo que encontrará o meu anjo da guarda, sua filha lá em cima, e que a minha proteção e de todos só aumentará. Perder alguém que amamos é sempre muito difícil, delicado, por mais que esperemos, nunca estamos preparados...mas é assim que a vida acontece...quando menos esperamos, vem ela e nos cobra mais força para enfrentá-la. E digo que serei forte! Forte para um dia conseguir homenagear à altura a você e à Lali, por tudo o que me ensinaram! E vou conseguir! E também fazer de tudo para que a união da família não se disperse, pois sempre foi um desejo mantido por ti, pela Lali e pela Oma, todos unidos! Dedico um poema como forma de despedida:
Meu adeus
Mesmo distante, se o meu coração tivesse boca,
Gritaria que a perda é muito grande
Porém maior ainda é o amor
Este que consome, aperta, sufoca,
Que dói como dor
Guardarei na memória essa pessoa
Íntegra, sincera, dedicada, amada,
Esta que ainda será revelada
E eternamente gravada
Se depender de mim
A sua história ainda vira livro
Porque é simplesmente um herói
E este sempre estará vivo
Um herói é imortal
Destes que marcam a história
Mesmo que seja mortal
Porém deixam conosco
A honra e a glória!
Peço à todos uma salva de aplausos à Goetz Georg Herzfeldt pelo herói que sempre foi. Obrigada!
Betina Herzfeldt Lodi 08 de outubro de 2010
Retirado do Blog Pensamentos em Erupção.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Opa
É com lágrimas nos olhos e o coração na mão eu digo adeus. Me despeço do meu herói, da pessoa mais honesta, íntegra e batalhadora que já pude conhecer em minha vida. Após nove décadas de vida, de muitas realizações e história, digo adeus, agradecendo por tudo o que sempre fez e tudo o que representa pra todos. Tenho certeza que cada um da família sabe o valor que é e que o seu pensamento em seus filhos, de nunca ter sido individualista, de querer proporcionar qualidade de vida à eles, se prolongou aos seus netos e bisnetos. Você é o meu exemplo, e sempre tive isso carimbado no meu coração. Digo adeus à uma pessoa com o coração maior que ele, mas que sempre gostou de mostrar que era casca grossa, porém tudo "figurino", pois amava como ninguém, só que dizia de outras formas. Acho que na boca de todos neste dia de luto está a palavra obrigado! Tento me acalmar sabendo que encontrará o meu anjo da guarda, sua filha lá em cima, e que a minha proteção e de todos só aumentará. Perder alguém que amamos é sempre muito difícil, delicado, por mais que esperemos, nunca estamos preparados...mas é assim que a vida acontece...quando menos esperamos, vem ela e nos cobra mais força para enfrentá-la. E digo que serei forte! Forte para um dia conseguir homenagear à altura a você e à Lali, por tudo o que me ensinaram! E vou conseguir! E também fazer de tudo para que a união da família não se disperse, pois sempre foi um desejo mantido por ti, pela Lali e pela Oma, todos unidos! Dedico um poema como forma de despedida:
Meu adeus
Mesmo distante, se o meu coração tivesse boca,
Gritaria que a perda é muito grande
Porém maior ainda é o amor
Este que consome, aperta, sufoca,
Que dói como dor
Guardarei na memória essa pessoa
Íntegra, sincera, dedicada, amada,
Esta que ainda será revelada
E eternamente gravada
Se depender de mim
A sua história ainda vira livro
Porque é simplesmente um herói
E este sempre estará vivo
Um herói é imortal
Destes que marcam a história
Mesmo que seja mortal
Porém deixam conosco
A honra e a glória!
Peço à todos uma salva de aplausos à Goetz Georg Herzfeldt pelo herói que sempre foi. Obrigada!
Betina Herzfeldt Lodi 08 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
The Death Toll
Terminal people like us have a new view on recents events. One of them is related to a history that remains in our minds
@marciovalerio in Twitter posted: Varig`s Curse hit Brazilian President Lula`s Candidate in 1st turn. Only Dilma Rousseff can change that Curse looking after Aerus`victims.
More than 400 people in Aerus are dead in a direct relation to the loose of the monney support they received from their retirement complementary plan. As Aerus followed Varig`s bankrupcy we agree that the Curse of Varig`s hit everyone that contributed to that mass extintion.
@marciovalerio in Twitter posted: Varig`s Curse hit Brazilian President Lula`s Candidate in 1st turn. Only Dilma Rousseff can change that Curse looking after Aerus`victims.
More than 400 people in Aerus are dead in a direct relation to the loose of the monney support they received from their retirement complementary plan. As Aerus followed Varig`s bankrupcy we agree that the Curse of Varig`s hit everyone that contributed to that mass extintion.
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