Recebi um e-mail com anexo. Anexo de um PPS. Nele uma cronica de Martha Medeiros, ela, a Martha, que foi quem deu origem a este Blog. O assunto é muito do Blog pois retrata uma fase da vida que chamo de prestar atenção, falta pouco tempo e não dá para fazer tudo, logo, separa, escolhe e faz o mais importante.
O PPS é muito bom. Tem My Way com Frank Sinatra.Foto de Cora Carolina. Mas o mais importante são as palavras de Martha Medeiros. Que coisa. Como pode escrever tão bem, dizendo tudo que é preciso dizer?
Reproduzo, após localizar a cronica atravéz do SEO dos rapazes "que mudaram as nossas vidas".
Sábado, 2 de Maio de 2009
Morrer em vida é fatal
MARTHA MEDEIROS
Nunca esqueci de uma senhora que, ao responder por quanto tempo pretendia trabalhar, respondeu com toda a convicção: “Até os 100 anos”. O repórter, provocador, insistiu: “E depois?”. “Ué, depois vou aproveitar a vida”.
É de se comemorar que as pessoas aparentem ter menos idade do que realmente têm e que mantenham a vitalidade e o bom humor intactos – os dois grandes elixires da juventude. No entanto, cedo ou tarde (cada vez mais tarde, aleluia), envelheceremos todos. Não escondo que isso me amedronta um pouco. Ainda não cheguei perto da terceira idade, mas chegarei, e às vezes me angustio por antecipação com a dor inevitável de um dia ter que contrapor meu eu de dentro com meu eu de fora.
Rugas, tudo bem. Velhice não é isso, conheço gente enrugada que está saindo da faculdade. A velhice tem armadilhas bem mais elaboradas do que vincos em torno dos olhos. Ela pressupõe uma desaceleração gradativa: descer escadas de forma mais cautelosa, ser traída pela memória com mais regularidade, ter o corpo mais flácido, menos frescor nos gestos, os órgãos internos não respondendo com tanta presteza, o fôlego faltando por causa de uma ladeira à toa, ainda que isso nem sempre se cumpra: há muitos homens e mulheres que além de um ótimo aspecto, mantêm uma saúde de pugilista. A comparação com os pugilistas não é de todo absurda: é de briga mesmo que estamos falando. A briga contra o olhar do outro.
Muitos se queixam da pior das invisibilidades: “Não me olham mais com desejo”. Ouvi uma mulher belíssima dizer isso num programa de tevê, e eu pensei: não pode ser por causa da embalagem, que é tão charmosa. Deve estar lhe faltando ousadia, agilidade de pensamento, a mesma gana de viver que tinha aos 30 ou 40. Ela deve estar se boicotando de alguma forma, porque só cuidar da embalagem não adianta, o produto interno é que precisa seguir na validade.
Quem viu o filme Fatal deve lembrar do professor sessentão, vivido por Ben Kingsley, que se apaixona por uma linda e jovem aluna (Penélope Cruz) e passa a ter com ela um envolvimento que lhe serve como tubo de oxigênio e ao mesmo tempo o faz confrontar-se com a própria finitude. No livro que deu origem ao filme (O Animal Agonizante, de Philip Roth), há uma frase que resume essa comovente ansiedade de vida: “Nada se aquieta, por mais que a gente envelheça”.
Essa é a ardileza da passagem do tempo: ela não te sossega por dentro da mesma forma que te desgasta por fora. O corpo decai com mais ligeireza que o espírito, que, ao contrário, costuma rejuvenescer quando a maturidade se estabelece.
Como compensar as perdas inevitáveis que a idade traz? Usando a cabeça: em vez de lutarmos para não envelhecer, devemos lutar para não emburrecer. Seguir trabalhando, viajando, lendo, se relacionando, se interessando e se renovando. Porque se emburrecermos, aí sim, não restará mais nada.
Postado ZERO HORA online - 02/05/2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Do Pai de um Aviador
De vez enquando um aviador parte e é lembrado. Este é lembrado por um pai num contexto muito especial e traz para nós muitas reflexões. Pela transcrição não autorizada, a minha homenagem.
" Jornal O Globo, dia 10 de junho de 2009
Roberto DaMatta
Em torno do progresso e do sofrimento.
O lema “ordem e progresso” cabe bem nas bandeiras, mas a vida seria mais bem descrita pelo laço entre progresso e sofrimento. Pela progressão que julgamos cumulativa, satisfazendo velhos desejos e inventando novos projetos, e a perda e a dor decorrentes das frustrações que, volta e meias, escapam das malhas das conquistas tecnológicas que nos acompanham revelando que o mundo, não sendo mesmo como gostaríamos que ele fosse, tem uma estranha espessura.
Circunstâncias não previstas ligaram-me ao mundo dos aviões e dos aeroportos. Tive um filho que morreu uma morte não anunciada nem esperada junto com a sua amada Varig no derradeiro dia de suas férias. Diante da morte, ele não teve aqueles sinais que vão dos sintomas resistentes aos remédios caseiros, até a contrariada consulta ao médico, a surpresa quando se constata a doença grave ou incurável, a internação e, finalmente, o inominável divorcio, como cadáver ou cinza, daqueles que amorosa e exultantemente o trouxeram a este mundo, agora transformado e vivido como um vale de lágrimas. Mas teve, sem dúvida, como ele bem pressentia, o abandono de um governo que sequer cogitou considerar uma gigantesca dívida para com a sua companhia ou os dinheiros do fundo de pensão dos seus trabalhadores para salvá-la de si mesma. Atitude que tem sido sistematicamente negada quando se observa o modo como o qual o governo federal trata dos sindicatos e os movimentos sociais debaixo de suas asas. Como todos aqueles que perderam seus entes queridos de uma hora para a outra, e como pai de um aviador e não mero piloto, como eram estes nobres comandantes do Airbus que sumido em algum lugar de um oceano que julgávamos mapeado e portanto conhecido, eu sinto uma enorme revolta contra aquilo que um lado meu vai morrer perguntado ao outro sem jamais ter uma resposta: se o lula tivesse tido mais consideração ou “cuidasse” melhor da Varig, eu estaria com meu filho ao meu lado? Estariam sua mulher e seus filhos gozando da energia protetora do marido e do pai dedicado para prover-lhes segurança e dar-lhes carinho e amor?
Sorte dos que, por meio de alguma ideologia política, econômica ou religiosa, explicam os acidentes e as incertezas. Que respondem ao “porque” aquela pessoa ou grupo cumpriu o trágica destino da morte sem aviso. Viver num universo deslindado pelas leis da História, do mercado ou protegido por um Deus onipotente, ou dinamizado por espíritos e vontades que tudo governam, é mais tranquilo do que receber a bofetada do caos e da desordem promovida pelo infortúnio da magnitude desse acidente com o avião da Air France. Receber a pancada e manter-se de pé, certo de que é justamente este brutal encontro com a transitoriedade que nos torna verdadeiramente humanos, é, no entanto, para alguns, a mais honrosa prova de amor à vida. É o teste crucial de que ela pode ser mesmo vivida com o amor que nada pede, nem mesmo a sua justificativa, ou o seu mérito porque como se diz, inspirado por São Paulo e Thornton Wilder, no amor nossos erros não duram muito.
A aceitação da impossibilidade de tudo saber e controlar é o que permite -- ao lado da lira, dos livros e do riso – pôr a morte acidental no seu devido lugar. É mais uma prova terrível porque irreversível de que somos seres da finitude e, portanto, da relação, da piedade e do amor. Não porque ofendemos os deuses ou porque um chefe de Estado pequeno prefere os amigos ao equilíbrio ético; mas porque não esquecemos a espessura do mundo. Daí a força deste abraço que trocamos no fracasso, na injustiça, no acidente e na morte. Daí essa consciência de ressurreição quando um fato extraordinário nos obriga, como esse acidente, a viajar para dentro de nós mesmos na busca de um renascimento que é a fonte de toda a vida que deseja ser vivida na verdade, na dignidade e no amor. Porque a fonte da vida social é esse amor humano – finito e fugaz – que está sempre dizendo adeus, e que sempre diz menos (ou mais) do que deveria. É precisamente na consciência da falha que estão a orgulhosa consciência e o sábio alento que tangem esse nosso mundo sempre sujeito a acidentes e injustiças. Esse universo construído pela mortalidade, pela feiúra, pelos enganos e pelas injustiças, mas dotado de uma abençoada transitoriedade. Único mundo que pode mesmo ser apaixonadamente amado e que, por isso, vale a pena ser vivido.
O trágico vôo 447 leva-me a repensar a equação entre progresso e sofrimento. A questionar a linearidade tradicional, essencializada em lógica e tida como natural, segundo a qual o progresso inevitavelmente ordena: a razão produz controle; e a união entre progresso e racionalidade acabaria com a dor do mundo. Fé difícil de abraçar hoje em dia., quando não são religiões ou ideologias anticapitalistas, mas um óbvio desastre ecológico que mostra como a ideia de progresso sem limites tem legalizado a destruição do planeta. Curioso observar como numa dezena de anos a tecnologia, que consagrava a dominação dos outros povos pelo Ocidente iluminado, passou de remédio a veneno. E como um trágico acidente nos traz de volta a vida representada como um real, embora esquecido, vale de lágrimas. Basta viver a incerteza para reavivar a nossa fragilidade e expor uma imensa nostalgia daquele pensamento selvagem recheado de deuses e magia que era a prova mais cabal das trevas, primitivismo e ignorância.
" Jornal O Globo, dia 10 de junho de 2009
Roberto DaMatta
Em torno do progresso e do sofrimento.
O lema “ordem e progresso” cabe bem nas bandeiras, mas a vida seria mais bem descrita pelo laço entre progresso e sofrimento. Pela progressão que julgamos cumulativa, satisfazendo velhos desejos e inventando novos projetos, e a perda e a dor decorrentes das frustrações que, volta e meias, escapam das malhas das conquistas tecnológicas que nos acompanham revelando que o mundo, não sendo mesmo como gostaríamos que ele fosse, tem uma estranha espessura.
Circunstâncias não previstas ligaram-me ao mundo dos aviões e dos aeroportos. Tive um filho que morreu uma morte não anunciada nem esperada junto com a sua amada Varig no derradeiro dia de suas férias. Diante da morte, ele não teve aqueles sinais que vão dos sintomas resistentes aos remédios caseiros, até a contrariada consulta ao médico, a surpresa quando se constata a doença grave ou incurável, a internação e, finalmente, o inominável divorcio, como cadáver ou cinza, daqueles que amorosa e exultantemente o trouxeram a este mundo, agora transformado e vivido como um vale de lágrimas. Mas teve, sem dúvida, como ele bem pressentia, o abandono de um governo que sequer cogitou considerar uma gigantesca dívida para com a sua companhia ou os dinheiros do fundo de pensão dos seus trabalhadores para salvá-la de si mesma. Atitude que tem sido sistematicamente negada quando se observa o modo como o qual o governo federal trata dos sindicatos e os movimentos sociais debaixo de suas asas. Como todos aqueles que perderam seus entes queridos de uma hora para a outra, e como pai de um aviador e não mero piloto, como eram estes nobres comandantes do Airbus que sumido em algum lugar de um oceano que julgávamos mapeado e portanto conhecido, eu sinto uma enorme revolta contra aquilo que um lado meu vai morrer perguntado ao outro sem jamais ter uma resposta: se o lula tivesse tido mais consideração ou “cuidasse” melhor da Varig, eu estaria com meu filho ao meu lado? Estariam sua mulher e seus filhos gozando da energia protetora do marido e do pai dedicado para prover-lhes segurança e dar-lhes carinho e amor?
Sorte dos que, por meio de alguma ideologia política, econômica ou religiosa, explicam os acidentes e as incertezas. Que respondem ao “porque” aquela pessoa ou grupo cumpriu o trágica destino da morte sem aviso. Viver num universo deslindado pelas leis da História, do mercado ou protegido por um Deus onipotente, ou dinamizado por espíritos e vontades que tudo governam, é mais tranquilo do que receber a bofetada do caos e da desordem promovida pelo infortúnio da magnitude desse acidente com o avião da Air France. Receber a pancada e manter-se de pé, certo de que é justamente este brutal encontro com a transitoriedade que nos torna verdadeiramente humanos, é, no entanto, para alguns, a mais honrosa prova de amor à vida. É o teste crucial de que ela pode ser mesmo vivida com o amor que nada pede, nem mesmo a sua justificativa, ou o seu mérito porque como se diz, inspirado por São Paulo e Thornton Wilder, no amor nossos erros não duram muito.
A aceitação da impossibilidade de tudo saber e controlar é o que permite -- ao lado da lira, dos livros e do riso – pôr a morte acidental no seu devido lugar. É mais uma prova terrível porque irreversível de que somos seres da finitude e, portanto, da relação, da piedade e do amor. Não porque ofendemos os deuses ou porque um chefe de Estado pequeno prefere os amigos ao equilíbrio ético; mas porque não esquecemos a espessura do mundo. Daí a força deste abraço que trocamos no fracasso, na injustiça, no acidente e na morte. Daí essa consciência de ressurreição quando um fato extraordinário nos obriga, como esse acidente, a viajar para dentro de nós mesmos na busca de um renascimento que é a fonte de toda a vida que deseja ser vivida na verdade, na dignidade e no amor. Porque a fonte da vida social é esse amor humano – finito e fugaz – que está sempre dizendo adeus, e que sempre diz menos (ou mais) do que deveria. É precisamente na consciência da falha que estão a orgulhosa consciência e o sábio alento que tangem esse nosso mundo sempre sujeito a acidentes e injustiças. Esse universo construído pela mortalidade, pela feiúra, pelos enganos e pelas injustiças, mas dotado de uma abençoada transitoriedade. Único mundo que pode mesmo ser apaixonadamente amado e que, por isso, vale a pena ser vivido.
O trágico vôo 447 leva-me a repensar a equação entre progresso e sofrimento. A questionar a linearidade tradicional, essencializada em lógica e tida como natural, segundo a qual o progresso inevitavelmente ordena: a razão produz controle; e a união entre progresso e racionalidade acabaria com a dor do mundo. Fé difícil de abraçar hoje em dia., quando não são religiões ou ideologias anticapitalistas, mas um óbvio desastre ecológico que mostra como a ideia de progresso sem limites tem legalizado a destruição do planeta. Curioso observar como numa dezena de anos a tecnologia, que consagrava a dominação dos outros povos pelo Ocidente iluminado, passou de remédio a veneno. E como um trágico acidente nos traz de volta a vida representada como um real, embora esquecido, vale de lágrimas. Basta viver a incerteza para reavivar a nossa fragilidade e expor uma imensa nostalgia daquele pensamento selvagem recheado de deuses e magia que era a prova mais cabal das trevas, primitivismo e ignorância.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Eternidade
Recebido por e-mail:
SAUDADE: Definiçao
Artigo do Dr. Rogério Brandão
Médico oncologista clinico
No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar
crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil. Tinha, e tenho
ainda hoje, um carinho muito grande por crianças. Elas nos enternecem
e nos surpreendem como suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias verdades.
Nós médicos somos treinados para nos sentirmos "deuses". Só que não o
somos! Não acho o sentimento de onipotência de todo ruim, se bem
dosado. É este sentimento que nos impulsiona, que nos ajuda a vencer
desafios, a se rebelar contra a morte e a tentar ir sempre mais além.
Se mal dosado, porém, este sentimento será de arrogância e
prepotência, o que não é bom. Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos
impõe e entendemos que não somos deuses. Somos forçados a reconhecer nossos limites!
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a
freqüentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria.
Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes,
particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes desta
terrível doença que é o câncer.
Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao
ver o sofrimento destas crianças. Até o dia em que um anjo passou por
mim.
Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada porém
por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames,
manipulações, injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos
programas de quimioterapias e radioterapia.
Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas
não via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas
vezes, e isto é humano! Mas via confiança e determinação. Ela
entregava o bracinho à enfermeira, e com uma lágrima nos olhos dizia:
faça tia, é preciso para eu ficar boa.
Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo
sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta
que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.
Meu anjo respondeu:
- Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar
escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não
nasci para esta vida!
Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus
heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:
- E o que morte representa para você, minha querida?
- Olha tio, quando agente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do
nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria
cama não é?
(Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam
dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)
- É isso mesmo, e então?
- Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos,
nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa
cama, não é?
- É isso mesmo querida, você é muito esperta!
- Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu
Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!
Fiquei "entupigaitado" . Boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado
com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento
acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei
parado, sem ação.
- E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela.
Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço,
perguntei ao meu anjo:
- E o que saudade significa para você, minha querida?
- Não sabe não tio? Saudade é o amor que fica!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição
melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor
que fica!
Um anjo passou por mim...
Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra,
do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo
que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto
relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência.
Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas me deixou uma grande lição,
vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de
grave doença, e a quem nunca mais esqueci. Deixou uma lição que ajudou
a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus
doentes, a repensar meus valores.
Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela
a quem chamo "meu anjo, que brilha e resplandece no céu. Imagino ser
ela, fulgurante em sua nova e eterna casa.
Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que
ensinastes, pela ajuda que me destes.
Que bom que existem saudades!
O amor que ficou é eterno.
SAUDADE: Definiçao
Artigo do Dr. Rogério Brandão
Médico oncologista clinico
No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar
crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil. Tinha, e tenho
ainda hoje, um carinho muito grande por crianças. Elas nos enternecem
e nos surpreendem como suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias verdades.
Nós médicos somos treinados para nos sentirmos "deuses". Só que não o
somos! Não acho o sentimento de onipotência de todo ruim, se bem
dosado. É este sentimento que nos impulsiona, que nos ajuda a vencer
desafios, a se rebelar contra a morte e a tentar ir sempre mais além.
Se mal dosado, porém, este sentimento será de arrogância e
prepotência, o que não é bom. Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos
impõe e entendemos que não somos deuses. Somos forçados a reconhecer nossos limites!
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a
freqüentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria.
Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes,
particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes desta
terrível doença que é o câncer.
Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao
ver o sofrimento destas crianças. Até o dia em que um anjo passou por
mim.
Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada porém
por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames,
manipulações, injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos
programas de quimioterapias e radioterapia.
Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas
não via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas
vezes, e isto é humano! Mas via confiança e determinação. Ela
entregava o bracinho à enfermeira, e com uma lágrima nos olhos dizia:
faça tia, é preciso para eu ficar boa.
Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo
sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta
que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.
Meu anjo respondeu:
- Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar
escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não
nasci para esta vida!
Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus
heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:
- E o que morte representa para você, minha querida?
- Olha tio, quando agente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do
nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria
cama não é?
(Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam
dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)
- É isso mesmo, e então?
- Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos,
nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa
cama, não é?
- É isso mesmo querida, você é muito esperta!
- Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu
Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!
Fiquei "entupigaitado" . Boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado
com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento
acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei
parado, sem ação.
- E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela.
Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço,
perguntei ao meu anjo:
- E o que saudade significa para você, minha querida?
- Não sabe não tio? Saudade é o amor que fica!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição
melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor
que fica!
Um anjo passou por mim...
Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra,
do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo
que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto
relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência.
Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas me deixou uma grande lição,
vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de
grave doença, e a quem nunca mais esqueci. Deixou uma lição que ajudou
a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus
doentes, a repensar meus valores.
Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela
a quem chamo "meu anjo, que brilha e resplandece no céu. Imagino ser
ela, fulgurante em sua nova e eterna casa.
Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que
ensinastes, pela ajuda que me destes.
Que bom que existem saudades!
O amor que ficou é eterno.
sábado, 4 de abril de 2009
LauraThornton and Peter Gabriel
Well, the Internet has some surprises.
http://blip.fm/~3hdf0 Go there.
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sexta-feira, 20 de março de 2009
STEVE JOB´s Terminal and Eternal
Você comhece atravez da Internet a transcrição deste discurso de Steve.
Aqui você o tem atravez de imagens, sem som mas com legendas em portugues.
Ienteressante que isto me leva até Louise L. Hay. Não é o fato que eles existam, mas o fato que nós esbarramos neles. Há um porque em todas as coisas. Veja( copie e abra):
http://video.google.com/googleplayer.swf?docid=-3827595897016378253&hl
e tire suas conclusões toda vez que você observr uma garota com um iPòd preso na sua alma.
Aqui você o tem atravez de imagens, sem som mas com legendas em portugues.
Ienteressante que isto me leva até Louise L. Hay. Não é o fato que eles existam, mas o fato que nós esbarramos neles. Há um porque em todas as coisas. Veja( copie e abra):
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e tire suas conclusões toda vez que você observr uma garota com um iPòd preso na sua alma.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Para que servem as relações
Copy that and search in your web server. You will be happy.
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http://www.mulherdeclasse.com.br/ParaQueServeUmaRelacao.htm
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http://www.mulherdeclasse.com.br/ParaQueServeUmaRelacao.htm
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